O avanço da pesquisa científica no Brasil exige cada vez mais poder computacional. Um exemplo claro disso é o supercomputador Drummond, recentemente instalado no Instituto Mauá de Tecnologia (IMT) — uma infraestrutura de alto desempenho viabilizada pela Versatus HPC, em parceria com a Dell e a AMD. Neste artigo, exploramos como esse sistema de computação de alto desempenho (HPC) está sendo aplicado em frentes tecnológicas como robótica autônoma, inteligência artificial e ciência de dados aplicados à saúde, e por que ele representa um marco para o ecossistema de inovação científica e industrial no país.
Do Ônibus Autônomo à Medicina: HPC como Plataforma de Inovação e Colaboração
O projeto Drummond foi inicialmente concebido para atender às necessidades computacionais do desenvolvimento de um ônibus autônomo, um sistema de engenharia de altíssima complexidade que exige simulações massivas em tempo real, redes neurais embarcadas e algoritmos de controle otimizados por aprendizado de máquina.
A escolha da solução não foi por acaso. Segundo o Prof. Dr. Eduardo Lobo Lustosa Cabral, coordenador do grupo de pesquisa em Sistemas Mecatrônicos Inteligentes e Robótica, a Versatus HPC foi a única empresa que apresentou uma proposta aderente às necessidades específicas do instituto.
O impacto do supercomputador, no entanto, foi muito além da aplicação original. O Prof. Dr. Vanderlei Cunha Parro, do Núcleo de Sistemas Eletrônicos Embarcados, explicou como a nova infraestrutura permitiu a criação de convênios com a Fundação Oncocentro do Estado de São Paulo e a Escola Politécnica da USP.
Otimizando Pesquisa em Oncologia
Sob coordenação da Fundação Oncocentro do Estado de São Paulo, pesquisadores do IMT estão utilizando o Drummond para processar uma base de dados com aproximadamente 100 milhões de registros relacionados a diagnósticos e tratamentos de câncer.
O projeto exige a execução de simulações repetitivas para ajuste fino de algoritmos de machine learning, testes de validação cruzada e análise estatística em larga escala. A adoção do cluster resultou em ganhos significativos de tempo de processamento, organização dos workflows e reprodutibilidade científica.
Robótica Inteligente e IA
A integração entre robótica inteligente e inteligência artificial está cada vez mais dependente de plataformas HPC. No caso do IMT, o supercomputador Drummond permite a execução de simulações de ambientes urbanos complexos, onde algoritmos de deep learning são aplicados em tempo real para o treinamento de redes neurais convolucionais usadas em sistemas de visão computacional veicular.
Em contextos globais, sistemas semelhantes têm sido empregados por centros de pesquisa como o Carnegie Mellon e o MIT para desenvolver modelos de SLAM (Simultaneous Localization and Mapping), planejamento autônomo de trajetórias e controle adaptativo em robôs sociais e industriais. Esses modelos exigem capacidades computacionais em nível de supercomputador para processar, por exemplo, fluxos de vídeo em tempo real de múltiplas câmeras, lidar com fusão de sensores (LiDAR, IMU, GPS) e executar inferências baseadas em IA em milissegundos.
No IMT, essa capacidade agora está à disposição para pesquisadores desenvolverem soluções com aplicação direta em veículos inteligentes e robôs assistivos.
A Infraestrutura do Cluster Drummond
De acordo com Antonio Alberto Nabholz, Gerente de Novos Negócios da Versatus HPC, o principal desafio foi compreender em profundidade as exigências específicas do Instituto Mauá de Tecnologia, especialmente no que diz respeito à previsão de cargas computacionais para aplicações em mobilidade autônoma.
A solução envolveu a seleção de servidores de alta densidade da Dell, equipados com processadores AMD EPYC3 Milan, totalizando 352 cores de CPU e 3 TB de memória RAM, otimizados para execução de workloads paralelos de alto desempenho. A arquitetura foi complementada por aceleradores gráficos de última geração, com GPUs NVIDIA Ampere e AMD CDNA2, garantindo ampla flexibilidade para aplicações de machine learning, simulação em larga escala e processamento de dados massivos.
Além disso, foram configurados sistemas de arquivos paralelos e schedulers especializados, otimizando o desempenho I/O e a distribuição de tarefas computacionais em múltiplos nós. Essa infraestrutura não apenas suporta as necessidades atuais, mas também foi projetada com escalabilidade nativa, permitindo expansões futuras conforme a demanda institucional.
O supercomputador Drummond é hoje uma infraestrutura essencial para o avanço da pesquisa aplicada em robótica, IA e medicina computacional no Brasil. Com o apoio da Versatus HPC, Dell e AMD, o IMT demonstra como é possível construir uma ponte entre ciência de base, inovação tecnológica e impacto social real.
Para instituições que buscam levar suas pesquisas para o próximo nível, a computação de alto desempenho não é mais uma opção — é uma condição para competir em escala global.



